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28/07/2006


Antes de dormir

O sono pesou-lhe nas pálpebras. Mas antes de dormir ainda sujou o travesseiro de dor.

Porque as lágrimas caíam como sangue desbotado.

 

 

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Escrito por Jarleo Barbosa às 07h48 PM
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Da clareza

E de que adianta ser sua vida um livro aberto, se o livro é em javanês?

 

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Escrito por Jarleo Barbosa às 01h57 PM
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24/07/2006


A poesia do fim

Ele estava sentado no sofá com os olhos baixos, mas não olhava pro chão. Parecia estar buscando alguma coisa perdida dentro de si.
Ela permanecia em pé, encostada ao parapeito da janela. Chorava. Não gemia, não gritava. Sentia as lágrimas descendo, escorrendo e caindo no seu decote.
Permaneceram assim por algum tempo.
Em certas ocasiões, a única reação que se pode ter, é não ter reação
alguma.Rompendo o silêncio ela disse:
__Acho bela a vida e choro porque a vida é triste.
E completou num tom mais baixo:
__Adélia Prado.Ele sabia que era Adélia Prado. Ele sabia quando ela ia citá-la só pelo tom de voz.
Alguns segundos depois ela se recompôs, limpou o rosto, o seio, virou-se e disse:
__Desculpe tentar submeter o amor a uma espécie de método científico, mas... Por que?
Por que assim?
Ele voltou seu olhar para uns livros empilhados em cima da mesa, pensou, como se quisesse encontrar a resposta ali; nos livros fechados. E disse:
__Você sabe, as flores, os frutos, o amor... São coisas de estação. Passam...
Ela se virou novamente pra janela, tentou engolir tudo que via numa fração de segundo, sentiu formigar a barriga, abaixou a cabeça, pensou.
__Você não deveria ter me olhado daquele jeito, nem falado aquelas coisas, nem cantado no meu ouvido o que você não acredita. Disse ela.E completou:
__Você não devia ter me ensinado a afogar. E agora, sem oceano, o que eu faço?
Ele se levantou, rodeou o sofá, encurtou o passo, chegou perto dela.
Ela o sentiu, mas não se virou e continuou olhando pra cidade. Tentando manter
uma pose de indiferença que não lhe caia bem.
__Se eu pudesse, se fosse poeta, diria coisas bonitas pra você. Mas o que é
tenho é minha sinceridade. Eu sou raso pro seu mergulho. Disse ele de cabeça
baixa, como que conversando com as costas dela.
Ela passou as mãos nos cabelos, tentou se agüentar sobre as pernas que já não suportavam o peso do coração, virou com uma cara dos que perdem a esperança
total no mundo e argumentou:
__A sua sinceridade me dói.
Abaixou a cabeça, já chorando novamente e continuou:
__Eu não sou uma flor que você colhe no campo, embeleza sua casa, sua vida, e depois que ela murcha e perde o cheiro, você joga fora.
A vida não é uma televisão que você muda de canal quando bem entende. Eu não sou um canal.
__É que... O rapaz tentou dizer algo, mas foi interrompido por ela:
__Tudo que você me disser, vai soar como um adeus, ou uma tentativa de atenuar isso. E tudo que eu disser, mesmo que diga outra coisa, vai ser um pedido enlouquecido de abrigo. E vai ser estúpido, e vai ser bonito e triste, como a vida.
Fica com seus cais que eu fico com meus ais. O resto é vão, é beco.
Ele ouviu tudo calado. Consciente da falta dela em si e da falta de si em si mesmo.
Ela tornou a se virar pra janela, apoiou o queixo nas mãos, e contemplou a cidade como se fosse um mar.
Ele voltou ao sofá e ascendeu um cigarro.
E se não bastasse a culpa a lhe ferir os ombros, ainda era fim de tarde.

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Escrito por Jarleo Barbosa às 01h35 PM
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Da falta

Você não ouviu a primeira vez que eu disse não. Meu jeito de pender a cabeça pra esquerda pra tentar entender, você não reparou.

Quando meus pés encostaram o fundo da piscina, você não estava em casa.

Por onde é que você andou enquanto não existia?



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Escrito por Jarleo Barbosa às 01h15 PM
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