Mais que vazio, estou esvaziado. Não há mais nada a cantar, não agora, não já.
Os versos foram todos rimados. Se brancos, foram todos lavados. Mas sempre livres.
Minha voz, já pequena e pouca, está menor. Mal se ouve quando grito e, se sussurro, parece que me calo.
É que meu calo não é nas cordas vocais, é na voz.
Não resta nada a dizer. Dei azar de nascer depois de Fernando Pessoa, Drummond e Adélia Prado.
O que quer que eu diga será vã tentativa de redizê-los...ou remediar o já falado.
E além do que, é fim de ano, fim de um ciclo que inventaram e me deram. Eu, por educação, aceitei.
As quatro estações já roubaram de mim tantas flores que, em pleno verão,
Me faço outono e, como uma árvore, perco o pudor e me aceito pelado.
Isso não é um texto, que fique claro. É só meu desfolhar registrado.