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30/04/2007


Sobre si

 

Metalinguístico é uma sala de espelhos.

 

 

Escrito por Jarleo Barbosa às 11h25 AM
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25/04/2007


A respeito de medalhas enterradas


Me mato tantas vezes pelo dia

que mais tarde

velando o que sobrou de mim

já não sei se (me) perdi

ou me venci


 

Escrito por Jarleo Barbosa às 11h28 PM
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14/04/2007


Sobre quase fins

 

Entre a riso e o choro

existe a tarde.

 

 

Escrito por Jarleo Barbosa às 02h41 PM
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01/04/2007


Trancada


Ela se tocou com medo. Achava que Deus tinha uma espécie de piedade dura. Temia. Mas desabotoou os botões da alma e se tocou. Foi como não reconhecer o lugar onde cresceu, se criou e se fez, mas se sentir, enfim, em casa.


Não bateu à porta, foi entrando. Mordeu os lábios de pavor e se estremeceu com a idéia de que alguém lhe pudesse ver. O pai, a mãe, a avó que insistia em entrar no quarto sem bater.
Levantou-se, trancou a porta. Depois abriu-se. Teve medo e prazer; uma coisa muita parecida com nojo. Depois fechou-se. Quando criança ouviu dizer que os anjos podiam atravessar as paredes. E se sentiu frustrada com a porta trancada. O peso do céu lhe caía nos dedos. Pensou em fechar-se; trancar-se pra sempre. (Deus sempre abraça as almas sem vontades.)


E na solidão virginal do seu quarto, se evitou. Lavou as mãos na água benta da torneira e foi dormir. Abraçou os travesseiros como se fossem nuvens: estava salva.




Escrito por Jarleo Barbosa às 10h53 PM
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