Metalinguístico é uma sala de espelhos.
Metalinguístico é uma sala de espelhos.
Me mato tantas vezes pelo dia
que mais tarde
velando o que sobrou de mim
já não sei se (me) perdi
ou me venci
Entre a riso e o choro
existe a tarde.
Ela se tocou com medo. Achava que Deus tinha uma espécie de piedade dura. Temia. Mas desabotoou os botões da alma e se tocou. Foi como não reconhecer o lugar onde cresceu, se criou e se fez, mas se sentir, enfim, em casa. Não bateu à porta, foi entrando. Mordeu os lábios de pavor e se estremeceu com a idéia de que alguém lhe pudesse ver. O pai, a mãe, a avó que insistia em entrar no quarto sem bater. E na solidão virginal do seu quarto, se evitou. Lavou as mãos na água benta da torneira e foi dormir. Abraçou os travesseiros como se fossem nuvens: estava salva.
Levantou-se, trancou a porta. Depois abriu-se. Teve medo e prazer; uma coisa muita parecida com nojo. Depois fechou-se. Quando criança ouviu dizer que os anjos podiam atravessar as paredes. E se sentiu frustrada com a porta trancada. O peso do céu lhe caía nos dedos. Pensou em fechar-se; trancar-se pra sempre. (Deus sempre abraça as almas sem vontades.)
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