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09/11/2010


Fluxo

     É estranho como de repente sobre a superfície das coisas nasce uma nova camada, quase sempre muito mais grossa e impenetrável que a anterior. Transfigurando assim a experiência do toque, subvertendo então a relação que antes era somente tátil, sensitiva. A partir daí o ato de aproximar-se ou não fica na base dos pró e contras, do valer a pena.
     É estranho como as coisas caminham silenciosamente quando ninguém as vigia e quando damos por nós elas já estão em um distância tão irremediável que só o que nos resta é remediar a falta. Entendo mais uma vez que existir é calcular distâncias, conjugar espaços com certa destreza a fim de que a solidão não se torne algo insuportável.
     É absolutamente estranho como as coisas se comunicam numa linguagem tão própria que nós parece um código decepado de sentido feito justamente para desautorizar o que autoriza. Porque as coisas não fazem ou deixam de fazer sentido, o parâmetro é outro. As coisas fluem. É preciso de grande despreendimento pra aceitar a falta de fluxo continuo das coisas. Porque ao contrario de nós, as coisas estão. E isso é tudo.

Escrito por Jarleo Barbosa às 03h57 PM
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