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11/12/2010


Colóide

Quando eu era mais novo e pensava que o amor acabava, me intrigava saber quando.
Quando duas pessoas deixam de se amar? Qual o exato momento em que elas olham uma pra outra e pensam: eu não te amo mais!?

Quando eu era mais novo eu pensava que o amor existia como um organismo vivo que nasce, cresce, reproduz e tem necessariamente seu fim. E que qualquer tentativa de subverter isso, era agir contra a lógica natural das coisas. Hoje eu acho que o amor não acaba nunca. Não acaba porque ele necessariamente não nasce. Ele não começa, ele não termina. O amor é uma matéria que não se define enquanto estado. O amor é um colóide.

O que começa e termina é a nossa capacidade de estar atento, o despreendimento pra nos entregarmos, nossa pré-disposição para o ridículo, a humildade de nos vermos pequenos, a disciplina de não sermos sozinhos...isso passa, isso tudo passa. Mas o amor permanece ali, como uma sombra que fosse também vapor e que pesasse. Porque o amor é assim, e também não é. O amor só é possível na dúvida, na incapacidade de admiti-lo como tal. A plenitude é o escudo dos que têm medo de sofrer.

As pessoas que se amaram estão condenadas ao amor que tiveram. Mesmo que cesse o mistério, que não haja mais falta, ciúme, tesão, graça... O amor persiste como uma prova inconteste de que viver não foi em vão. Porque amar é admitir-se vivo. E nós não somos quem amamos, nós somos porque amamos.

 

 

Escrito por Jarleo Barbosa às 11h40 AM
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07/12/2010


Solidão

Toda aquela coisa crua do corpo, a enevoada tentativa frustrada de santidade, a imensa vontade de fazer de nós uma coisa só...
Tudo isso se registrou ali, naquele momento. Mas eu percebia que pouco a pouco eu lhe perdia, até o momento onde de um lado do mundo estava você e do outro eu, separados por tudo que não era gozo. Não existe solidão maior do que eu ser eu e você ser você.

Escrito por Jarleo Barbosa às 03h03 PM
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