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17/01/2014


Chuva


No dia que nasci, choveu. Apesar de ser agosto, apesar de ser Goiás, choveu. O pai preocupou, temendo pelas visitas. 
Ou a falta delas. Mãe disse: Calma, pai, logo passa! Não passou.

Fui crescendo debaixo desse toró, achando normal o aguaceiro. Capa de chuva não era adorno, guarda-chuva guardava a gente e caixa d'água era tudo aberta, porque não tinha água parada.

Era com lágrima nos olhos que o pai falava do sol, a vó se demorava no detalhe do calor que fazia e a mãe vaticinava: não há noite perpétua, nem estio permanente. Tudo há de passar. Não passou.

Porque era antes e não havia internet, nem enchente, vinha pela TV notícias solares do mundo.
Na escola a gente aprendia que nordeste era onde não chovia e São Paulo onde chovia tímido.


(A vontade de mundo me secava.)

Hoje já faz anos já que parti, com os olhos ensopados da saudade que previa de lá. Saí ganhando estrada, enlameando o sapato com terra e vontade de ficar. Não fiquei. Mas não sequei.

Foram muitos anos pra entender que aqui também chove, mas cada um chove sozinho.


Escrito por Jarleo Barbosa às 04h05 PM
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